É fato que a violência relacionada ao tráfico de drogas e às armas sempre representou um dos maiores desafios para as autoridades em todas as partes do mundo. No Brasil, há verdadeiros redutos do crime, onde a ausência do Estado também é um fato. Porém, ainda que rejeitem argumentos, os fatos, sozinhos, não revelam muito, são meros fragmentos de uma realidade compreensível apenas dentro de seu contexto.
Sob essa lógica, no mundo do crime, violência e ousadia são práticas diárias que impõem terror e acuam a sociedade, numa demonstração de poder dos que buscam demarcar território. Tal padrão muitas vezes inibe a ofensiva dos próprios policiais, que acabam por ser cooptados e corrompidos, pois falta preparo e armamentos para garantir supremacia nas operações de repressão. Entretanto, jornais e TV repercutirão, quase sempre, apenas os fatos, pois poucos se atrevem a chegar muito perto do tráfico para apurar causas e conseqüências.
"Sob tortura, os números confessam tudo”, diz o ditado, de perto endossado pelo escritor João Ubaldo Filho para quem “a estatística é a arte de mentir com precisão”. No final das contas, se analisados como dados complementares, os números podem ser de grande valia na interpretação dos acontecimentos e na busca das causas e consequências. Mas, é para falsear uma realidade que alguns dados estatísticos são usados.
Para o dono do blog Universo Policial, quando as estatísticas apontam o aumento no número de prisões e de apreensões de armas e drogas, a presunção de quem lê a notícia é a de que o fato está associado a uma melhoria na área de Segurança Pública. Mas, por trás dos números, as ações não têm a relevância que aparentam e o crime continua estagnado. De que adianta apreender a arma de um agricultor, por exemplo, e ignorar a do traficante ou a do homicida? E de que serve recolher a arma e não prender seu portador?
Os fatos apontam para iniciativas contundentes contra o tráfico, no Rio de Janeiro. Mas, até que ponto estes fatos refletem uma real política de repressão e controle? Contra os fatos, não há argumentos, mas é preciso analisá-los para além da superfície.
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